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Cimeira da Parceria Oriental em Varsóvia
Conferência da Parceria Oriental: rumo a uma comunidade europeia democrática, próspera e com uma sociedade civil mais forte.
29 de Setembro de 2011
A conferência internacional sobre as relações da União Europeia com os seus parceiros a Oriente realizar-se-á em Varsóvia no dia 29 de Setembro, sendo um evento que acompanha a IIª Cimeira de Parceria Oriental. Na conferência estarão cerca de 200 participantes, sobretudo representantes da sociedade civil, bem como dos países membros e dos Estados parceiros. O objectivo deste seminário é criar recomendações relativas à inserção da sociedade civil na actuação da Parceria Oriental.
Cimeira da Parceria Oriental em Varsóvia
Será a “Parceria Oriental uma iniciativa pouco realista?”
Tendo em conta a situação da Bielorrússia e da Ucrânia, assim como o pouco interesse pela Parceria Oriental por parte dos países ocidentais da UE, esta iniciativa é pouco realista - considerou o presidente do conselho de administração da think-tank de Bruxelas CEPS, H. Onno Ruding, em conversa com a agência PAP.
Inaugurada em 2009, a Parceria Oriental tem como objectivo aproximar a cooperação da União Europeia com seis vizinhos orientais: Arménia, Azerbaijão, Geórgia, Moldávia, Ucrânia e a um nível limitado com a Bielorrússia. A Parceria Oriental é uma prioridade da presidência polaca, que organizará quinta e sexta-feira em Varsóvia a segunda cimeira na história sobre a Parceria, para fortalecer esta iniciativa e dar-lhe um novo impulso de desenvolvimento. É o principal acontecimento da presidência rotativa de meio ano da Polónia.
“Valorizo o facto da Polónia querer alcançar progressos significativos numa das prioridades da sua presidência, ou seja, nas relações com os países vizinhos, mas duvido que seja realista. É um pensamento sonhador, pois vemos o estado real de países como a Bielorrússia e a Ucrânia", disse Ruding, que foi durante vários anos ministro das finanças da Holanda e é actualmente presidente do conselho da administração do prestigiado Centre for European Policy Studies.
“Não há grande interesse na Parceria Oriental por parte dos restantes países da UE”, acrescentou.
“As pessoas da Europa Ocidental não sabem onde fica a Bielorrússia; a Moldávia é um pequeno país, tragicamente experienciado, do qual as pessoas do ocidente nunca ouviram falar. No caso da Ucrânia a situação é outra, pois é um país grande que atrai muita atenção”, referiu o perito. Observou que este desconhecimento não diz respeito apenas aos cidadãos, mas também a muitos políticos ocidentais.
Ruding exprimiu a sua surpresa por, apesar do ênfase colocado pela Polónia na política de expansão da UE e nas relações com os vizinhos, entre as prioridades da presidência não se encontram as relações com a Turquia, que interessam a muitos dos países dos “27”.
De acordo com o projecto de declaração negociado na cimeira de Varsóvia, os líderes terão de reconhecer as “aspirações europeias” dos parceiros e prometer um avanço gradual em direcção ao movimento sem vistos e à integração gradual no mercado europeu. Assinalam, no entanto, que “muito fica ainda por fazer para atingir o objectivo da Parceria, incluindo a aplicação dos actuais instrumentos de cooperação”.
A Polónia queria que a Parceria desse o seu aval à perspectiva ambiciosa, ainda que distante, de se tornar membro da UE que procura, por exemplo, Kiev. Para isto, no entanto, não houve acordo entre os parceiros europeus. Para a UE, o mais problemático é o forte regime bielorrusso de Aleksandr Lukashenko e o processo da ex-primeiro ministro Iúlia Timochenko em Kiev, que impeliram diversos países ocidentais, com a França e a Alemanha à cabeça, a apelar ao congelamento das negociações em curso com a Ucrânia sobre o novo contrato de aprofundamento das relações e comércio livre. No projecto encontra-se escrito o anúncio do fim destas conversações até ao fim do presente ano, o que tem interesse para a presidência polaca.
Não foi possível antes da cimeira adoptar uma posição comum pela Associação de Parceria Oriental (chamada Euronest). O motivo foi a falta de entendimento entre os países do sul do Cáucaso.
Fonte: PAP



