A tradição e a modernidade na pintura polaca
A pintura polaca desenvolveu-se no século XIX sob a influência da grande poesia romântica. Matejko, Grottger, e mais tarde Malczewski, Wyspiański – criaram um verdadeiro cânone de símbolos polacos, que continua sendo um ponto de referência para as novas gerações.
O papel social da arte era para os artistas polacos um desafio e um peso. A questão da liberdade, central para a cultura polaca, significava também uma luta pela soberania artística e pela autonomia da arte. A reconstrução do Estado polaco após o ano de 1918 coincidiu com a procura do “caminho polaco para a independência na arte”. A arte já não tinha de ser o cofre-forte da memória nacional, e por isso começou a recorrer com muito ânimo a modelos internacionais, dotando-os de significados locais. Este foi o caminho dos grupos “Formiści Polscy” (“Os Formistas Polacos”) e “Rytm” (“O Ritmo”), existentes no período entre as duas guerras mundiais, cuja obra é uma síntese do cubismo, fovismo, expressionismo e das influências da arte popular polaca. Este estilo deu bons resultados especialmente na arte utilitária e na arquitectura. O sucesso do artesanato e do cartaz, a popularidade do “estilo de Zakopane” e do “estilo solarengo” são as contribuições polacas para o elegante cânone internacional da art déco.
Nessa altura o constructivismo, que era uma variedade polaca da vanguarda progressista, tornou-se uma corrente importante. Os artistas associados aos grupos “Blok”, “Praesens”, “a.r.” ligavam a fé no progresso e na razão ao desejo de experimentar. Na paisagem visual do país queriam introduzir a ordem, a disciplina e o funcionalismo. Os pintores do “Comité Parisiense” visavam mudar o gosto dos polacos. Lutavam pela qualidade e independência da pintura, tomando como ponto de referência o pós-impressionismo francês. Após a Segunda Guerra Mundial dominaram as escolas artísticas, e a doutrina estética do colorismo tornou-se uma das mais influentes e longevas.
Os anos da Segunda Guerra Mundial constituem uma etapa crucial, imprescindível para compreender a mentalidade dos polacos. O trauma da ocupação, as experiências dos campos de concentração, deportações, execuções, a tragédia do Holocausto – tudo isto são temas recorrentes da arte, literatura e filme polacos; constituem um ponto de referência permanente, um eterno memento. Os primeiros anos após a guerra, antes de se decretar o realismo socialista, foram um dos momentos mais interessantes da arte polaca. O “Grupo de Cracóvia”, integrado por artistas que nos tempos da ocupação alemã tinham atuado no teatro dirigido por Tadeusz Kantor, determinou o ambiente desses anos. As obras deste grupo são arte da “vanguarda domada”, que unia a necessidade da modernidade com o apego à tradição. As experimentações espaciais e uma metáfora lírica à beira do abstrato permitem chamar esta versão polaca do surrealismo “a pintura metafórica”.



